Música

4 discos revolucionários do Jazz

“The Shape Of The Jazz to Come” (1959).
Álbum que levou a música afroamericana a outros caminhos e possibilidades. Avant-Garde criticado e classificado por puristas de “antimúsica”.
Mas, o saxofonista Ornette Coleman (fã de Charlie Parker, assim como meio-mundo) tinha pra si que “como a vida, a música é expressão, movimento e, portanto, campo pra infinitas experimentações”. E assim mesclou bebop com harmonias e improvisações fora dos padrões.
Em 1959, dizem os críticos, foi o ano de “renovação” e popularização mundial do jazz por conta de 4 discos:

  • “The Shape Of The Jazz”: revolucionário por suas “fórmulas” tonais/melódicas, que viria abrir caminho para oque se tem por Free Jazz e derivados.
  • “Kind Of Blue” (Miles Davis): um dos álbuns mais populares e mais vendidos do gênero em todos os tempos. É uma das peças mais lindas e espontâneas da música moderna, que tem a participação do não menos genial John Coltrane. Vale a pena buscar na rede documentários sobre a feitura do álbum com o depoimentos de quem participou dele.
  • “Time Out” (The Dave Brubeck Quartet): álbum que apresenta inovações na estrutura rítmica, compassos…. O sucesso popular entre a classe média branca norte-americana foi tão grande que o então presidente Eisenhower usou o álbum de Brubeck e sua banda como garoto-propaganda do sonho americano no início da guerra fria. The Dave Brubeck Quartet passou a se apresentar em diversos países para divulgar o American Way Of Life. Nos EUA, no entanto, a banda deixou de tocar em vários lugares porque o contrabaixista Eugene Wright era negro. “Take Five” é uma das músicas mais populares e tocadas do gênero, até os dias atuais.
  • “Mingus Ah Hum” (Charles Mingus): álbum com belíssimas e polêmicas canções de um artista que era a própria expressão da arte: destemido. Charles Mingus em “Fables of Faubus” manda um recado direto ao governador racista de Arkansas, Orval Faubus, que, dois anos antes (57), proibira estudantes negros de frequentarem escolas tidas para brancos. Em 1954, a suprema corte havia proibido qualquer tipo de segregação em estabelecimentos de ensino. “Goodbye Pork Pie Hat” é uma linda homenagem ao saxofonista Lester Young (que por muitos anos acompanhou Billie Holiday). Anos mais tarde, essa canção ganhou letra de Joni Mitchell, se não me engano.